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Cacau Oliver: “A Internet banalizou a nudez. As revistas vão ter sempre de imaginar uma maneira de se adaptar”

Cacau Oliver é nome no mundo da moda e das celebridades mas para a PLAYBOY é também um companheiro e colaborador de longa data. Falámos com ele sobre fama e o universo das revistas masculinas, num tempo de desafios inevitáveis que a Internet trouxe.

Por cada foto de uma modelo que capta a atenção há um trabalho cuidado atrás da lente. Da mesma forma, por trás da fama de cada modelo captada numa lente, existe uma estratégia. E uma história.

Cacau Oliver acumula esse lado técnico com o pragmatismo de quem ao longo dos anos tem ajudado a desbravar os caminhos da fama para novas personalidades. Em entrevista à PLAYBOY, o jornalista e fotógrafo brasileiro que tem colaborado regularmente com a revista faz o balanço de uma carreira que contou na base com uma pergunta: O que levam essas pessoas a buscar pela fama? “Gosto de mostrar isso”, conta-nos, explicando que não é do acaso que a fama surge. Há todo um trabalho de planeamento a fazer.

Comecemos pelo princípio. Quem é Cacau Oliver?

Sou brasileiro, jornalista e apaixonado pelo mundo das celebridades, muito mais pelos bastidores do mundo das celebridades. O que levam essas pessoas a buscar pela fama? Gosto de mostrar isso. Fui capaz de tornar pessoas totalmente desconhecidas em celebridades ou webcelebridades.

Fez agora em maio 17 anos de profissão. Que balanço faz? Há quem lhe chame “criador de celebridades”.

As pessoas procuram-me à procura de perceber como se podem tornar famosas de um dia para o outro. Tento sempre explicar que é um processo que envolve planeamento e ação. Os tablóides também me ligam a perguntar por assuntos interessantes que eu posso dar. É uma rotina muito estratégica.

Não é acaso a designação “Criador de Celebridades”. É mesmo nome do reality-show que teve no canal de “E!”. Como foi gravar sobre a sua vida?

Gravar o programa foi uma experiência única. Foi humanizar sonhos dessas pessoas que buscam incessantemente estar nos holofotes. Quis mostrar o drama, as dificuldades, mostrar como é possível sonharmos em conjunto com estas figuras.

Tem também um livro chamado “Make Celebrities – Criando Fama”.

Escrever esse livro foi algo mais pessoal. Ali acabo por mostrar as minhas aspirações, sonhos e como consegui, com persistência e acreditando nos meus sonhos, chegar até aqui.

E já pensou em escrever um livro que fale mais dos bastidores dos ensaios masculinos?

Sim, já pensei nisso. Seria interessante escrever um segundo livro que fala mais sobre os bastidores e os inúmeros ensaios que fiz ao redor do mundo.

Cacau Oliver: "A Internet banalizou a nudez. As revistas vão ter sempre de imaginar uma maneira de se adaptar"

 

Contas feitas, são já mais de 120 capas de revistas em 17 anos de profissão. Como é que se consegue isso?

Posso dizer que sou de outra geração, trabalhei na época de ouro das revistas masculinas. Foi um tempo em que vi super cachês e super visibilidade. Ou seja, as revistas masculinas sempre andaram de mãos dadas com a busca pela fama, serviram como degraus para muitas celebridades que são conhecidas hoje e foram porta para que se tornassem conhecidas. As revistas acabaram por ser uma consequência do meu trabalho. Podiam não ser essenciais, mas foi um tempo em que com essa liberdade que a mulher tinha de ser sex symbol as revistas serviram também como empoderamento. E deram força à sua fama e essa vontade de serem famosas.

Aqui na PLAYBOY Portugal são já mais de 10 capas, sendo que muitas dessas modelos são brasileiras. Existe uma conexão nesse universo masculino entre Brasil e Portugal?

Brasil e Portugal têm um casamento de longos anos, e não só pela colonização, mas é uma paixão que envolve desde futebol, cultura e no universo masculino isso não poderia ser diferente. Naturalmente, as mulheres brasileiras que são ícones de beleza no Brasil e no mundo também encantam os portugueses. Em consequência disso, o meu trabalho com a PLAYBOY Portugal acabou por se tornar muito produtivo. E isso acontece porque os portugueses gostam e têm interesse em ter as novidades do Brasil bem como conhecer essas mulheres e a beleza em geral da mulher brasileira.

Qual é o universo da nudez na era digital? Há um segredo para se manter sempre atual?

A Internet, de certa forma, banalizou a nudez. Assim como as revistas masculinas, outras revistas e projetos editoriais também enfrentam esse difícil momento de como entender e como sobreviver na era digital. Vão ter todas que imaginar sempre uma maneira de se adaptar.

Como vê o consumo da nudez hoje?

O consumo da nudez vai sempre existir, o que mudou foram os canais de consumo dessas matérias. Então, nesse difícil dilema, todos terão de se adaptar a estes novos canais de distribuição e descobrir como chegar a essa audiência.

E como é que vê os concursos de beleza hoje em dia?

Os concursos de beleza, todos esses processos, também sofreram várias mudanças. O movimento #metoo mudou drasticamente o concurso e a forma com que as pessoas enxergam a competição. Somos a favor da luta contra o assédio. O Miss Bumbum, por exemplo, sempre teve esse lado de empoderar a mulher e é um concurso que fala de cuidados com o corpo e um estilo de vida. E essa é a linha que devem seguir agora.

Cacau Oliver: "A Internet banalizou a nudez. As revistas vão ter sempre de imaginar uma maneira de se adaptar"