Playgirls

Debbie Hooper: recordações da Miss Agosto de 1969

Andámos 50 anos para trás no tempo para desencantar Debbie, a menina de espírito livre e independente que brilhou na década de 60 na PLAYBOY.

Em agosto de 1969, Debbie Hooper, de 21 anos, chegava às páginas da PLAYBOY combinando o seu espírito livre mas também crítico. Aquele ano foi de protestos por várias universidades nos EUA contra a guerra do Vietname, que se prolongava há anos e que a cada dia fazia aumentar o número de baixas norte-americanas.

Nessa altura, Debbie Hooper envolvera-se na política, mais concretamente na campanha do senador Eugene McCarthy às primárias democráticas, que acabaria por perder. Na universidade de San Fernando Valley, Debbie Hooper estudava filosofia e escultura e optava por se manter à margem dos protestos, que muitas vezes implicavam barricadas.

“Algumas das exigências dos radicais são boas e outras são más”, afirmava ela, “mas eles arruínam as hipóteses de sucesso com as táticas que usam. Que tipo de educação pode alguém ter quando fecham a escola”, questionava.

Em 1969, o mundo da música era já dos Beatles e os quatro de Liverpool estavam entre o topo da pop para Debbie, mas a Miss Agosto daquele ano guardava atenção também para o rock pulsante dos Creedence Clearwater Revival. “Aquela batida põe sempre o meu corpo a mexer”, confessava. À Playboy, Debbie contou o quanto a autora objetivista Ayn Rand a influenciava então: “tem sentido viver por ti mesmo, porque o amor-próprio é a base para todo o amor”, afirmava.

Os anos 70, os da revolução sexual, estavam a aproximar-se mas Debbie mostrava ser já um espírito livre e aberto quanto à sexualidade. “O sexo devia ser totalmente espontâneo e os adultos devem poder fazer o que desejam”, defendia a jovem que considerava que uma boa relação não era uma questão de tempo. “Quando o carisma de alguém te cativa, os teus instintos estão mais vezes certos do que errados”.

A PLAYBOY de então era já uma marca a caminho de duas décadas de irreverência. Debbie refletia essa postura, criticando os publicitários de meia-idade e as suas moralidades deslocadas. “Conseguem tornar uns rolinhos de ovo eróticos e depois preocupam-se com o que o sexo pode fazer às crianças”, ironizava então sobre o mundo da publicidade.

Ao contrário de outras jovens do seu tempo, Debbie Hooper já tinha experiência em teatro mas pouco interesse em fazer filmes. Não queria que a gigantesca Hollywood lhe “dissolvesse a identidade”. Estava mais preocupada em combater as mentalidades ainda conservadoras da sua geração, não com barricadas, mas com o espírito livre que deixou bem expresso nas páginas da revista.

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