Desporto

UFC 249: O olá a um novo campeão, o adeus a outro e os desejos que não se pedem

Este fim de semana, com estádios e arenas desportivas ainda encerradas, o UFC concentrou as atenções desportivas do planeta.

A madrugada de sábado, 9 de maio, para domingo, foi de UFC 249 e desta vez a coisa foi especial, dentro e fora do octógono. Em tempos de pandemia, a sede desportiva é muita e as artes-marciais tiveram o condão de regressar antes de todos os outros grandes desportos. E foi assim que uma arena sem público em Jacksonville, Florida, EUA, concentrou as atenções desportivas do planeta.

O Covid-19 não deixou de se fazer sentir, obrigando ao cancelamento de um dos combates após o lutador brasileiro Ronaldo “Jacaré” Souza ter acusado positivo na véspera do evento.

O UFC 249 campeão olímpico Henry Cejudo derrotou Dominick Cruz, o histórico “rei” da categoria peso-galo. Ao fazê-lo, o antigo campeão olímpico e campeão em duas categorias no UFC anunciou que, aos 33 anos, se vai retirar. Mas o combate da noite era o cabeça de cartaz e as expectativas não foram defraudadas.

Tony Ferguson levava 12 vitórias consecutivas e tinha pela frente o invencível Khabib Nurmagomedov. A pandemia, porém, adiou pela quinta vez um dos combates mais ansiados da história do UFC. Talvez seja altura de os fãs aceitar a maldição e assumirem que este combate se calhar nunca vai acontecer.

Com Khabib confinado à Rússia, impedido de voar, Justin Gaethje chegou-se à frente. A promessa era a de espectáculo, com dois lutadores habituados a nunca parar de atacar e com uma resistência impressionantes. Em disputa estava o título interino e Justin Gaethje mostrou que as duas derrotas que sofreu (as primeiras e únicas da sua carreira) no UFC serviram de lição. De então para cá, quatro vitórias consecutivas, com esta sobre Tony Ferguson a ser a mais impressionante.

El Cucuy, habituado a ser um papão no UFC, acabou com o rosto numa lástima graças à precisão clínia de Gaethje, que saiu de Jacksonville com o título interino mas com um novo adversário em mente, pelo título que conta: o Khabib.

A ausência de público contribuiu para uma ambiência muito própria neste evento. Eram bem audíveis as pancadas e os conselhos vindos dos cantos de cada lutador. Isso foi notório com o silêncio que se ouviu o KO da noite (aplicado por Francis Ngannou, quem mais) e até valeu momentos curiosos, como Carla Esparza e Grega Hardy, que saíram vitoriosos da noite e que admitiram que, a dada altura dos respetivos combates, ouviram os comentários do lutador Daniel Cormier, que estava ali como comentador e que, de forma inadvertida, acabou por ser treinador involuntário.

No caso de Greg Hardy, a vitória foi contra o luso-caboverdiano Yorgan de Casto, que voltou a levar a bandeira dos dois países até ao octógono. Yorgan de Castro não começou nada mal. No segundo round já tinha castigado bastante a perna do adversário, mas um pontapé que saiu curto terá causado uma lesão que o limitou no resto do combate. A primeira derrota da sua carreira(ao sétimo combate profissional) surgiu assim por decisão.

O combate grande dos pesos-pesados, no entanto, estava reservado para mais tarde. Jairzinho Rozenstruck chegou ao UFC 249 invicto, com dez vitórias no curriculum. Mas cometeu um daqueles erros de que rezam muitas lendas: viu um dss seus desejos ser realizado. Jairzinho pedira Francis Ngannou e nem pôde aproveitar: aos 20 segundos, após desferir uma série de golpes no ar, Ngannou atinge com um soco o adversário e foi o que bastou. O camaronês leva agora quatro vitórias consecutivas, com o combate mais longo a durar apenas um minuto e 11 segundos. Impressionante.