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Brad Stevens: o jovem génio que assaltou a NBA

Aos 41 anos, o técnico dos Boston Celtics é o principal candidato a treinador do ano.

É uma espécie de Mourinho da NBA.

Nunca jogou na NBA mas mesmo assim foi aposta de uma das equipas lendárias da liga de basquetebol, os Boston Celtics. Em apenas quatro anos, Brad Stevens recuperou a equipa de Massachussets e fez dela uma das melhores da prova, com 12 vitórias seguidas, apenas duas derrotas e a melhor defesa da competição. O talento não caiu do céu. Aos 20 anos, Stevens passava 14 horas por dia a analisar as jogadas defensivas das equipas, que eram a sua verdadeira obsessão.

Um jovem desconhecido e sem currículo no desporto profissional torna-se num treinador de elite. Onde é que já vimos este filme? Por Portugal não faltam exemplos: José Mourinho foi um dos primeiros, seguiram-se nomes como André Villas-Boas, Leonardo Jardim ou Marco Silva. Lá fora, no resto da Europa, temos Unai Emery ou Thomas Tuchel. Brad Stevens parece querer fazer o mesmo caminho hoje é já tido como um génio precoce do basquetebol norte-americano.

A aventura começou apenas em 2013, aos 37 anos, quando lhe foi dada a responsabilidade de recuperar uma equipa sem chama nem confiança num verdadeiro candidato ao título da NBA. E fê-lo com sucesso, apesar de ter perdido alguns dos titulares da época passada e sem grandes estrelas no plantel. Uma das surpresas da temporada dos Celtics é precisamente um flop dos Cleveland Cavaliers da época passada, Kyrie Irving.

O método de Stevens assenta num sistema de basquetebol solidário e em rotação constante, que transforma jogadores pouco mediáticos em máquinas de marcar pontos, olhe-se para Isaiah Thomas. Para o Stevens, a equipa é uma unidade onde o egoísmo não entra.

Stevens ‘loves this game’

Nos playoffs de 2015, as estrelas dos Cleveland Cavaliers já se motravam rendidas ao trabalho do técnico, apesar da vitória sobre os Celtics. “Todos nós concordamos, este treinador limitou-nos muito e tornou difícil as nossas ações. Cada posse de bola é fulcral para ele”, explicou na altura à ESPN LeBron James, que admitiu ter um “grande respeito” por Stevens.

A paixão pelo basquetebol começou bem cedo. Aos seis anos já assistia com atenção aos jogos da NBA – especialmente as épicas batalhas entre os Celtics de Larry Bird e os Lakers de Magic Johnson – e, aos oito, o pai foi obrigado a construir uma tabela em casa. A sua obsessão no jogo centrava-se acima de tudo no momento defensivo, uma mania que se manteve até à idade adulta. Com pouco mais de 20 anos, já era diretor de operações no basquetebol da Universidade de Butler e chegava a passar 14 horas por dias a catalogar e editar vídeos com movimentos defensivos. Tudo em nome da perfeição.

Foi na faculdade que conheceu a sua atual mulher, Tracy Wilhelmy e o seu primeiro encontro foi no mínimo peculiar: Stevens levou Tracy numa viagem de uma hora e meia para poder ver um jogo de basquetebol universitário. Ela gostou: estão casados até hoje. Só não chegou a cumprir um dos seus grandes sonhos, o de participar nos Jogos Olímpicos.

A sua carreira como basquetebolista nunca foi além dos campeonatos estaduais, onde jogou com a camisola da Universidade de DePauw. Depois de se formar em Economia, esqueceu os sonhos de miúdo e aceitou um emprego na farmacêutica Eli Lilly. Mas, em 2000, depois de ter passado um verão a dirigir um campo dedicado ao basquetebol na Universidade de Butler, foi convidado para ser assistente voluntário da equipa principal da faculdade.

Arriscar tudo pelo jogo

É um lugar comum nos casos de sucesso: o de estar no lugar certo à hora certa. O mérito poderia ser dado à mulher, que o forçou a deixar o emprego na farmacêutica para seguir o sonho — com um trabalho em part-time num restaurante pelo caminho. Mas também se poderia alegar que a detenção do assistente principal da equipa da Universidade de Butler, por soliticação de prostituição, lhe abriu o caminho para mostrar o seu talento. Stevens foi promovido para a vaga antes mesmo do primeiro treino. Sorte ou dedicação? Um pouco de ambos.

Em 2007 assumiu, finalmente, o comando da equipa universitária e no seu primeiro ano venceu 30 jogos e só perdeu quatro. Esteve duas vezes muito perto de vencer o título (pode ver a jogada que deu a derrota na final de 2010 no vídeo em cima) mas nunca o conseguiu.

Certo é que Stevens se trata de um cientista do basquetebol, devido ao estudo matemático das jogadas e a frieza em campo. Um dos seus jogadores, Mike Brown, explica: “muitos técnicos fazem caretas, ficam doidos quando alguém erra mas o Brad mantém a compostura, aconteça o que acontecer”. Stevens está aí para os títulos.