Bem-estar

Viver um mês sem açúcar — e sobreviver para contar a história

Matt D’Avella decidiu mudar radicalmente de vida e mostrou todas as peripécias. Sim, há desafios na Internet que valem a pena.
Foto de Joanna Kosinska - Unsplash

A cada novo ano há desafios a fazer de resoluções. Há o Dry January, em que as pessoas se devem abster de beber álcool durante o primeiro mês do ano; o Veganuary, que incentiva as pessoas a tornarem-se vegans durante um mês, o Januhairy, que convida mulheres a deixarem crescer os pelos. São muitos os desafios e alguns são capazes de mudar uma vida no espaço de 30 dias — como o Sugar Free January.

A parte mais difícil é desintoxicar o corpo, já que como qualquer adição, o açúcar vicia e a sua falta tem consequências negativas: pode provocar quebras de tensão, dores de cabeça e fraqueza. É um ciclo vicioso: quanto mais açúcar comemos, mais açúcar queremos.

O realizador do documentário da Netflix “Minimalism: A Documentary About The Important Things”, youtuber e amante de fitness Matt D’Avella deixou de consumir qualquer alimento com açúcar durante um mês. No YouTube, relatou a experiência e mostrou os efeitos da dieta no seu corpo. D’Avella conta que embora fosse todos os dias ao ginásio, a barriga insistia em ficar. A gordura abdominal acumulava-se e começou seriamente a preocupar-se com as consequências — como “danificar o metabolismo e desenvolver diabetes ou problemas de rins, de fígado, problemas de pele e dificuldades em manter uma ereção”, conta. “Não que seja só essa a razão”, sublinha.

O youtuber gosta de açúcar e não tem vergonha de o admitir. Não só comia doces e snacks como nunca se preocupava em ler os rótulos. O primeiro passo foi começar a ter o cuidado de ver quais os ingredientes do que consumia e “evitar fontes óbvias, como gelado, snacks de chocolate ou as suas bebidas energéticas”, mas ficou “surpreendido por encontrar grandes quantidades de açúcar nas barras proteicas, nos seus cereais de peque no-almoço e até no pão” que compra.

Viver um mês sem açúcar — e sobreviver para contar a história

Bebe chazinho, filho

O açúcar está em alimentos óbvios mas esconde- -se em muitos outros. Com a ajuda de uma dietista, Rebecca Shem, Matt passou a estar mais atento também à comida processada e preparou-se para o que aí vinha: limpou a despensa sem piedade e como snack deixou apenas bolachas de arroz. Não é necessário abandonar completamente o açúcar adicionado, mas consumir menos de nove colheres de chá — o equivalente a 150 calorias ou 36 gramas — por dia. O problema é que como o açúcar se esconde nos mais impensáveis produtos, um corte total pode levar a dores de cabeça, fadiga e cãibras. As primeiras duas semanas foram as piores. D’Avella sentiu desejos de comer açúcar e a cada vez tomava um chá.

As alterações na alimentação foram graduais. Deixou de recorrer à comida processada como snacks, substituiu a fruta por saladas e verduras para fazer batidos e começou a comer hidratos de carbono mais complexos. Criou um plano alimentar para 30 dias que inclui refeições como, por exemplo, caril de bacalhau com arroz e couve refogada.

No final da terceira semana, os níveis de energia estabilizaram; deixou de ter flutuações de açúcar no sangue e a tal barriga começou a ceder. Com o desafio cumprido, D’Avella quer agora reduzir o açúcar na sua vida, fazendo apenas um desvio na dieta por semana. Manter, já se sabe, é o maior desafio. Mas previne uma série de coisas, do pneu na barriga à diabetes. E, claro, assegurar que o açúcar em excesso não lhe dificulte manter uma ereção.

Artigo publicado originalmente na edição impressa da PLAYBOY Portugal.