Bem-estar

Treinar em excesso duplica o risco de sofrer de doenças cardiovasculares

Um estudo defende que treinar mais do que sete horas e meia por semana pode trazer complicações para o coração, sobretudo aos homens brancos.

Vá com calma

Ninguém gosta de ficar muitas horas num ginásio. Muitos acreditam que quanto mais tempo passarem agarrados às máquinas, melhores serão os resultados, mas talvez seja boa ideia diminuir a duração dos treinos. Pelo menos é o que diz a ciência. Um estudo conjunto do departamento de terapia física da Universidade de Illinois e da organização de saúde Kaiser Permanente, nos Estados Unidos, verificou que os homens caucasianos que praticam desporto em excesso têm 86% de probabilidade de obstrução nas artérias do coração quando atingirem a meia-idade.

Os investigadores utilizaram uma amostra de 3.175 participantes, entre homens e mulheres de raça caucasiana e negra. O estudo demorou 25 anos a ser concluído, tendo por base um conjunto de oito avaliações de treino. O relatório refere que elevados níveis de exercício provocam stress nas artérias, levando a uma maior calcificação da artéria coronária (CAC), ou seja, a um maior risco de doenças cardíacas.

Os indivíduos foram divididos em três grupos: o primeiro era composto por pessoas com um índice de atividade física abaixo do recomendado pelas diretrizes de saúde americanas (menos de 150 minutos semanais). O segundo usava este valor como referência, e o terceiro excedia-a em três vezes, ou seja, mais de 450 minutos por semana (7 horas e meia). 

A investigação mostrou que o terceiro grupo tinha uma probabilidade 27% superior de desenvolver CAC à entrada da meia-idade. Paralelamente, os autores do estudo descobriram que, ao dividirem os grupos em género e raça, eram os homens caucasianos os que se encontravam em maior risco (86%) de desenvolver CAC.

Contudo, os autores realçam que o estudo “não sugere que ninguém deva parar de fazer exercício”.