Bem-estar

O segredo da juventude está em correr uma maratona

Os atletas que participaram numa prova pela primeira vez mostraram recuar quatro anos na idade vascular.

Temos um facto duro e cruel para lhe dar: não existe um elixir da juventude. Agora que destruímos todos os seus sonhos de vida eterna, a boa notícia: um estudo britânico publicado na segunda-feira, 6 de janeiro, no “Journal of the American College of Cardiology” garante que quem corre uma prova com mais de 42 quilómetros, pela primeira vez, sofre uma redução significativa da pressão arterial e da rigidez das artérias, que podem fazer recuar quatro anos na idade vascular.

Convém sublinhar que é um desafio que deve ser praticado por quem goza de boas condições de saúde e que requer bastante preparação prévia. Contudo, o estudo também destaca a importância de modificar o estilo de vida para diminuir os riscos associados ao envelhecimento, “especialmente porque nunca é tarde demais”, como refere Charlotte H. Manisty, líder do estudo e cientista do Instituto de Ciências Cardiovasculares da University College London e do Barts Heart Center, citada pelo “EurekAlert”.

A investigação verificou mesmo que os que mais beneficiam com a atividade são os mais velhos mais lentos, do sexo masculino, e com pressão arterial mínima (ou basal) mais alta. Para o estudo, participaram 138 pessoas, cuja média de idade girava em torno dos 37 anos. Eram todos saudáveis e estreantes na maratona de Londres de 2016 e 2017.

Os atletas fizeram medições e análises antes do início do treino, ou seja, seis meses antes da maratona, e novamente duas semanas após a prova. Os exames incluíram a medição da pressão arterial ou ressonâncias magnéticas para avaliar a rigidez aórtica.

O plano foi definido pela organização da maratona para iniciantes. Para se prepararem, os participantes realizavam três corridas por semana com um grau de dificuldade que ia aumentando gradualmente. A corrida devia durar 5,4 horas para os homens e 4,5 horas no caso da mulheres.

No final, verificou-se que o treino diminuiu “a pressão arterial sistólica e diastólica (máxima e mínima), em quatro e três mmHg (milímetro de mercúrio), respectivamente. No geral, a rigidez aórtica diminuiu com o treino e foi mais pronunciada na aorta distal [abdominal] com aumentos na capacidade de inchar com a pressão de 9%”, explica o estudo.

As conclusões apontam que os resultados equivalem a uma redução de quase quatro anos na idade da aorta. “O nosso estudo mostra que é possível reverter as consequências do envelhecimento nos vasos sanguíneos com exercícios durante apenas seis meses”, sublinhou Manisty.

Julio A. Chirinos, especialista da Divisão de Medicina Cardiovascular do Hospital da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, escreve um editorial que acompanha o artigo científico onde salienta que o estudo é mais uma prova de “os benefícios do exercício em várias áreas associadas ao envelhecimento”, mas diz também que “são necessárias mais investigações para identificar os regimes ideais de treino integrado”.