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Caminhar por um dos trilhos mais bonitos de Portugal

O trilho que liga o Pico Ruivo ao Pico do Areeiro é um daqueles cenários que só vemos em filmes.

“Há um percurso português, relativamente curto, mas visualmente estonteante, que integra a lista dos cinco trilhos mais curtos e belos do mundo”. A descrição foi incluída nas escolhas de “O Homem Que Trilhou o Mundo”, um famoso blogue apoiado pelo jornal britânico “The Guardian”, e refere-se precisamente ao trajeto que liga o Pico Ruivo ao Pico do Areeiro.

Entre troços de veredas e levadas, a rota liga os dois pontos mais altos da ilha madeirense. O trajeto inclui túneis, declives acentuados e paisagens fabulosas do maciço montanhoso. Pode dizer-se que não é ideal para quem sofre de vertigens, embora esteja bem assinalado e o caminho impecavelmente preservado.

Este é provavelmente um dos locais mais bonitos do litoral madeirense e do País. O trilho que tem início no Pico do Areeiro prolonga-se por sete quilómetros e demora cerca de 3h30 a percorrer, só a ida, está claro. A escassos metros fica o miradouro do Ninho da Manta, um local onde esta ave de rapina local nidificava. Lá do alto, a paisagem oferece uma vista sobre o vale da Fajã da Nogueira, São Roque do Faial e grande parte da cordilheira montanhosa central.

Pelo caminho que vai serpenteando pela montanha, cruzam-se vários túneis escavados na rocha vulcânica. A vereda, que dá continuidade à caminhada através de uma subida de 300 metros até à Casa de Abrigo do Pico Ruivo, é a parte mais difícil de percorrer. O trilho passa por uma sucessão de escadas que parecem levar-nos ao céu, acompanhadas de um corrimão de aço que dá alguma segurança aos mais desastrados e medrosos.

A uma altitude de 1862 metros, existe uma formação rochosa basáltica designada popularmente por “Homem em Pé”. Lá no topo, a paisagem é arrebatadora. Em dias de bom tempo e sem nebulosidade, tem uma visão de 360 graus sobre o arquipélago, com vários pontos em destaque: Curral das Freiras, Porto Santo, Desertas ou Ponta de São Lourenço.

A neblina e as nuvens à volta do pico não tornam o cume menos interessante, já que dão a sensação de termos sobrevoado a ilha e sobreposto o céu. Quem sabe se não terá como bónus um soberbo pôr-do-sol atrás das nuvens — um momento que oferece uma espécie de fatia de paraíso na terra.

Artigo publicado na edição de outubro de 2019 da PLAYBOY PORTUGAL. Pode comprar a edição impressa na loja online.