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“The Umbrella Academy” — Os miúdos estão de volta (e não vêm sozinhos)

A série da Netflix volta para uma segunda temporada com muito para responder — e muitas voltas para dar. Antecipamos o que aí vem e avisamos já: vêm aí spoilers. A segunda temporada estreia esta sexta-feira, 31 de julho.

Foi um dos sucessos de 2019 com uma fórmula que já víramos em algum lado mas não bem assim. “The Umbrella Academy” conta a história de um dia em que 43 mulheres, que no dia anterior não estavam grávidas, dão à luz de um momento para o outro, exatamente à mesma hora. Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore), um excêntrico e muito invulgar milionário, adota sete destas crianças, que cedo vão mostrar ter super-poderes. A premissa lembra uma academia X-Men desta vida mas num modo próprio, onde humor, violência e traumas andam lado a lado.

A série inspira-se em comics do mesmo nome publicadas na prestigiada Dark Horse, escritas por Gerard Way (sim, o vocalista dos My Chemical Romance) e ilustradas pelo talentoso brasileiro Gabriel Bá. Mas, dizíamos nós, já vimos isto assim em algum lado mas não bem desta forma. Aqui — e olhe que não vai poder voltar atrás no tempo se não quer ler spoilers — os super-poderes estão intimamente ligados a uma infância bizarra.

O apocalipse continua por perto

Todas as personagens principais, de um modo ou outro, ficaram marcadas pela austera e por vezes abusiva relação com o pai. E nem a mãe robótica (Jordan Claire Robbins) nem o chimpanzé falante mordomo (Adam Godley) foram suficientes para resolver os problemas. Ah e antes que nos esqueçamos: há viagens no tempo e uma super organização secreta que envia assassinos para diferentes eras com um objetivo: garantir que o que era suposto acontecer, acontecerá. E neste caso o que é suposto acontecer é nada mais, nada menos do que um apocalipse. Os nossos heróis, enquanto se perdem entre dramas, drogas, traumas, relações perdidas, mentiras e frustrações, vão ter de arranjar tempo para salvar o mundo e a humanidade.

Parece muita coisa? É mesmo mas ainda agora começámos.

"The Umbrella Academy" — Os miúdos estão de volta (e não vêm sozinhos)
Os miúdos estão de volta.

Passámos uma primeira temporada a conhecer cada um dos heróis (e eles respondem muitas vezes por números, do um ao sete). Temos o quatro, o junkie adorável (Robert Sheehan), a número três, uma celebridade (Emmy Raver-Lampman), o dois, um especialista em facas (David Castañeda) e o número um, o peludo líder brutamontes (Tom Hopper), além do cinco (Aidan Gallagher), um tipo já careca que viu o mundo depois do apocalipse e que voltou para o presente, no seu corpo de treze anos (e calções betinhos a condizer). Sabemos cedo que um irmão (o seis) morreu mas não sabemos porquê. E passamos esta primeira temporada da série a descobrir que a personagem de Ellen Page (a número sete), a única da família sem poderes, que cresceu ostracizada por não ser especial, na verdade era a mais poderosa de todos eles. Para tal, acompanhámos a número sete numa violenta fase de auto-descoberta, para a qual muito contou a ajuda de um tipo com ar de choninhas que na verdade era um assassino em série (John Magaro).

Parece muita coisa? Já não falta tudo.

E agora que tudo acabou?

A primeira temporada fechou em jeito de quem lança uma brincadeira a si próprio — e veremos agora se os criadores Steve Blackman e Jeremy Slater não se metem numa encrenca com esta brincadeira. É que no final da temporada, o mundo acabou mesmo, perdemos uma série de personagens importantes (como a favorita dos fãs Cha-Cha, uma implacável assassina interpretada por Mary J. Blige) e ficamos em suspenso a ver os heróis aparentemente partirem de novo para o passado. Parece que vão ter direito a uma segunda oportunidade (na verdade será já uma terceira) para salvar o mundo. A dúvida agora é se o que aí vem é déjà-vu, um mais do mesmo que arrisca cansar os fãs — ou se há aqui toda uma nova trama para explorar. Algumas pistas foram lançadas no final incandescente da primeira temporada. O tal excêntrico milionário, por exemplo, poderá ser bem mais peculiar do que imaginávamos — ao ponto de ser de outro planeta. Há já algumas diferenças marcadas em relação às comics mas este lado alienígena já estava na história original. Pelo primeiro trailer, parece que as personagens conseguiram chegar ao passado ao ano em que John F. Kennedy foi assassinado — mas será que neste mundo morreu mesmo? Infelizmente, os miúdos da academia levaram sem querer na bagagem o apocalipse.

A Netflix tinha revelado na altura que a nível mundial a série tinha tido 45 milhões de espectadores. Estes números, a juntar ao final em suspenso, faziam prever que uma segunda temporada viria aí. Ela chega agora com expectativas para corresponder e muitas perguntas ainda por responder. Os miúdos estão de volta — falta saber se mais ou menos crescidos.