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Adepto que participou no ataque a Alcochete é candidato nas eleições europeias

Elton Camará, membro da Juventude Leonina, faz parte da lista do Partido Trabalhista.

As listas de candidatos às próximas eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para 26 de maio, já foram divulgadas. Num total de 17 listas, cada uma com 21 candidatos efetivos e oito suplentes, há um nome que se destaca na do Partido Trabalhista Português, o de Elton Camará.

O sétimo elemento da lista do PTP é um dos arguidos do caso de Alcochete e, por isso, encontra-se preso preventivamente há quase 12 meses no estabelecimento prisional do Montijo. Esta condição não permite que participe na campanha eleitoral ou faça qualquer declaração. Ainda assim, o elemento da claque do Sporting solicitou o voto antecipado, como têm que fazer todos os reclusos que queiram votar, e irá fazê-lo entre 13 e 16 de maio, quando o presidente da Câmara do Montijo se deslocar à prisão para o efeito, de acordo com o previsto na lei.

Elton Camará vai ainda ser presente ao juiz na próxima segunda-feira, 13 de maio, para ser interrogado. Em causa estão as acusações de crimes como terrorismo, sequestro, ameaça agravada, ofensa à integridade física, dano com violência, detenção de arma proibida agravado e introdução em lugar vedado ao público. O processo relativo à invasão feita pelos adeptos do Sporting à Academia de Alcochete a 15 de maio de 2018 está em fase de instrução e serão ouvidos os 17 arguidos a 13 e 14 de maio. Neste lote está incluído Bruno de Carvalho, presidente do clube na época.

Sobre a candidatura às Europeias, não deverá pronunciar-se. No entanto, Gonçalo Madaleno, líder da lista do PTP, justifica a candidatura de Camará como uma forma de alerta para “o excesso de prisão preventiva que é um problema estrutural da justiça portuguesa”. Em declarações ao “Diário de Notícias”, o cabeça de lista explicou que o seu candidato é membro do partido e que esta pode ser uma forma de se sentir integrado na sociedade.

“A prisão preventiva é demasiado utilizada em Portugal e afeta bastante os direitos dos cidadãos. Queremos mostrar que as pessoas que estão privadas da liberdade também têm direitos e todas as qualidades cívicas”.