Comer e beber

Há um armazém escondido em Campo de Ourique com milhares de gomas

Existe há mais de 20 anos e tem doces de todo o mundo. Vende ainda chocolates, chupas e bombons, mas tudo para revenda.
O armazém tem mais de 2500 variedades de doces.

Morangos, dedos, pizzas, ursos, conchas, olhos, bananas, melancias, línguas ou amoras. Tudo o que é goma, está neste armazém secreto de Campo de Ourique. A Almadoce passa despercebida na Rua Almeida e Sousa, em Lisboa. O nome está escrito em cima da porta com a identificação, em letras mais pequenas, de outros doces que ali se encontram: chocolates, pastilhas e caramelos. Ao todo, são mais de 2500 as variedades disponíveis.

Até aqui só maravilhas. Contudo, há um problema: nem toda a gente pode comprar os doces. O espaço é exclusivo para revenda de cafés, pastelarias e mini mercados, por exemplo, que se abastecem para depois vender estes produtos nos seus espaços. Para se perder no meio de tantas guloseimas, é preciso identificar-se com o cartão de comerciante da empresa.

De facto, percebe-se porquê. A maioria das sugestões da Almadoce é vendida em grandes quantidades, em caixas com várias unidades e pesos superiores a um quilo.

O armazém de 450 metros quadrados abriu em Campo de Ourique em 1995. Assim que entra, tem uma caixa registadora e um balcão como se de uma mercearia se tratasse. Depois, um longo corredor com prateleiras de três metros e vários doces sobrepostos, tanto em caixas como em pacotes gigantes. O armazém continua com três corredores mais pequenos ao fundo.

Em baixo de cada embalagem está sempre a referência ao preço normal e o valor que fica com o acrescento do IVA. Há marshmallows da Fini; pizzas, ursos e olhos da Trolli, morangos da Vidal; e propostas nacionais, como as pastilhas Gorila ou os caramelos de fruta da Penha. As opções não acabam aqui. Existem gomas ácidas, picantes e aquelas com açúcar à volta, as pastilhas com recheio, os chocolates em tabletes e até potes com três quilos de Nutella.

No site da empresa, também podem ser feitas encomendas, mas a lógica mantém-se só para revenda. A marca nasceu em 1994, um ano antes da abertura do armazém, e foi criada por Nazera Sacoor, 53 anos — sim, é da família dos responsáveis pela marca de roupa portuguesa mas o negócio não tem nada a ver, nem são sócios.

Nazera nasceu em Moçambique e viveu em Londres, onde trabalhou na área de recursos humanos. Veio para Portugal há 30 anos, já com o objetivo de abrir uma loja de guloseimas. “Queria um espaço onde as pessoas pudessem encontrar tudo o que se relaciona com doçaria. Inspirei-me em conceitos do género que vi em Inglaterra”, explica à NiT

A primeira loja abriu em Campo de Ourique e é a maior da marca. A Almadoce está também presente em São João da Talha, Cruz de Pau e Famões (tudo para revenda).

“Temos guloseimas de todo o mundo, da Europa, dos Estados Unidos e da América do Sul. Só do Japão e da Austrália é que não.”

A família tem também outros negócios relacionados com a importação e exportação de produtos. Nazera vai diretamente às fábricas comprar os vários doces e depois trá-los para Portugal. O nome, Almadoce, foi dado no momento, em 1994,  já que era um dos que estava disponível para ser registado logo. “Ainda pensámos em algo como sweet house.”

Carregue na galeria para saber mais sobre a Almadoce.