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A água do mar está mais quente do que é habitual — e a culpa é do vento

O IPMA revela que a temperatura subiu cerca de 2ºC por causa de uma depressão a oeste da Península Ibérica.

Quem foi recentemente à praia deve ter percebido que a água do mar está mais quente. Nos primeiros dias de julho, a temperatura da água do mar à superfície na costa ocidental portuguesa foi cerca de dois graus acima do normal. A informação foi comunicada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) na terça-feira, 9 de julho.

O IPMA refere que “em julho, os valores da temperatura da água do mar à superfície foram da ordem dos 18ºC e superiores a 19°C nos primeiros dias do mês”. Segundo o instituto, o fenómeno atmosférico que impede a movimentação habitual das camadas de água no oceano deve-se a “uma depressão a oeste da Península Ibérica”. Entre os dias 1 e 8 de julho, o acontecimento condicionou o vento junto à costa ocidental portuguesa e impediu a circulação da água fria das zonas mais profundas até à superfície.

A influência do vento que predomina de norte ou noroeste costuma criar um afloramento costeiro que implica que a corrente de água das camadas mais profundas do oceano, que é mais fria, venha à superfície. Ou seja, quando existe vento norte, o oceano é empurrado para a direita do vento, a água à superfície é substituída pela água profunda. A água que resulta desse afloramento com temperatura mais baixa também tem mais nutrientes – o que favorece a pesca.

Como o IPMA não dispõe de bóias para monitorização da temperatura da água do mar à superfície, as observações em tempo quase real foram obtidas através da rede de bóias multiparamétricas do Instituto Hidrográfico.