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Julian Assange foi espiado 24 horas por dia em Londres

Empresa de segurança gravou todos os passos do fundador da WikiLeaks, incluindo as reuniões que tinha com os seus advogados.

Julian Assange foi espiado durante os sete anos que passou refugiado na embaixada do Equador, em Londres, no Reino Unido. A revelação foi feita pelo diário espanhol “El País”, que revela que todos os passos que eram dados pelo fundador da WikiLeaks eram monitorizados 24 horas por dia.

O jornal teve acesso a documentos, áudio e vídeo, que mostram que uma empresa de defesa e segurança privada espanhola, a Undercover Global S. L., responsável pela proteção do espaço diplomático equatoriano em Inglaterra, entre 2012 e 2018, captou todos os passos do ativista australiano, assim como o dos seus advogados e colaboradores. O jornal partilha mesmo um vídeo das gravações.

“A WikiLeaks descobriu uma extensa operação de espionagem contra Julian Assange dentro da embaixada do Equador,” já dissera Kristinn Hrafnsson, editor-chefe da WikiLeaks, citado pelo “DN” em abril. O jornalista islandês suspeitava ainda que o “despejo” do programador informático estava iminente.

O Reino Unido acabou de aprovar a transferência do fundador do WikiLeaks para os EUA. As autoridades norte-americanas fizeram 18 acusações contra ele por divulgar informações confidenciais. Na origem do exílio está uma acusação por parte do Equador, por alegadamente Assange ter partilhado informações sobre a vida pessoal do presidente do país, que levou Lenin Moreno a culpá-lo de violar os termos do seu asilo.

A equipa de segurança da empresa espanhola, com sede em Puerto Real (Cádiz), tinha como tarefa diária monitorizar todos os seus movimentos, gravar as conversas e recolher o seu estado de ânimo. Outras atividades de espionagem da empresa não estavam propriamente relacionadas com a suposta proteção do refugiado na embaixada, mas em tentar descobrir os seus segredos mais obscuros.

O ativista começou a ficar tão paranóico por ser espiado que começou a marcar com as visitas na casa de banho das mulheres, o único local que considerava seguro. A cada vez que se encontrava com os seus advogados e visitas, não começava a falar sem que Assange acendesse o aparelho de distorção de voz escondido numa lâmpada.

Assange foi para a embaixada do país equatoriano para evitar ser extraditado para a Suécia, onde as autoridades o queriam interrogar devido a uma acusação de agressão sexual – que, entretanto, foi arquivada.

Os EUA querem levar Julian Assange à justiça por ter publicado, na WikiLeaks,  centenas de milhares de comunicações diplomáticas confidenciais, assim como um vídeo secreto do país norte-americano que mostrava um ataque de helicópteros Apache, em 2007, a matar 12 pessoas em Bagdade, incluindo dois membros de uma equipa de notícias da agência Reuters ou documentos secretos que detalhavam a campanha militar no Iraque.